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Musculação e lesões: quais são as mais comuns e como preveni-las?
Texto e adaptação jornalística: Rodnei Jorge – Educador Físico | CREF 025210/SP
Mais Esportiva — Esporte que transforma.

Treinamento de força é considerado uma prática segura, mas a execução inadequada, progressão excessiva das cargas e falta de recuperação podem aumentar o risco de lesões. Conheça as regiões que merecem maior atenção e como tornar o treinamento mais seguro.
A musculação é uma importante ferramenta para o desenvolvimento da força, massa muscular, capacidade funcional e qualidade de vida. Apesar disso, como qualquer atividade física, não está livre da ocorrência de lesões.
A boa notícia é que as evidências científicas não sustentam a ideia de que a musculação tradicional seja uma atividade particularmente perigosa. Pelo contrário: quando adequadamente orientado e executado, o treinamento resistido apresenta bom perfil de segurança.
Onde ocorrem as principais lesões?
Ombros, coluna lombar e joelhos estão entre as regiões que merecem maior atenção durante o treinamento.
No ombro, movimentos repetitivos, técnica inadequada, carga incompatível e limitações individuais podem aumentar o estresse sobre as estruturas articulares.
Na região lombar, exercícios realizados sem adequado controle do tronco ou com cargas incompatíveis com a capacidade do praticante podem aumentar a sobrecarga. Isso não significa que exercícios como agachamentos, remadas ou levantamentos sejam necessariamente perigosos: a forma como são executados e prescritos é determinante.
O mesmo princípio vale para os joelhos. Agachamento, leg press e avanços podem fazer parte de programas seguros e eficientes quando existe controle do movimento, progressão adequada e respeito às características individuais.
Cotovelos, punhos e mãos também estão sujeitos a lesões, especialmente devido à sobrecarga de movimentos, manipulação inadequada de pesos e acidentes.

Um dado que chama atenção
Um estudo de Kerr, Collins e Comstock analisou lesões relacionadas ao treinamento com pesos atendidas em serviços de emergência dos Estados Unidos entre 1990 e 2007.
Entre as ocorrências estudadas, 46,1% foram classificadas como entorses ou distensões. Outro dado importante foi que 65,5% estavam relacionadas à queda de pesos sobre o praticante.
Isso mostra que segurança na musculação não depende somente da execução dos exercícios. Organização da sala, cuidado com halteres e anilhas, utilização adequada dos equipamentos e supervisão também são importantes.
Mais peso não significa necessariamente melhor treino
Um dos erros mais comuns nas academias é transformar a quantidade de peso levantado no principal indicador de evolução.
Carga é apenas uma das variáveis do treinamento.
Aumentá-la sacrificando amplitude, controle ou técnica pode ser uma estratégia ruim. Dependendo do objetivo, resultados podem ser obtidos com diferentes faixas de carga.
O princípio deve ser simples:
primeiro dominar o movimento; depois progredir a resistência.

Como diminuir o risco?
A prevenção passa por alguns princípios fundamentais: aprender corretamente os exercícios, realizar progressões graduais, respeitar as características individuais, controlar a execução, organizar adequadamente volume e intensidade e garantir recuperação entre as sessões.
Dor persistente, inchaço, perda de função ou sintomas que pioram durante determinado movimento não devem ser simplesmente ignorados. Nesses casos, é importante interromper a tentativa de "treinar por cima da dor" e buscar avaliação profissional quando necessário.
A orientação de um profissional de Educação Física também é fundamental para ajustar exercícios, cargas, volume e progressões aos objetivos e às condições de cada praticante.

Musculação também ajuda a prevenir lesões
Esse talvez seja o ponto mais importante.
Seria equivocado apresentar a musculação apenas como causa potencial de lesões. O próprio treinamento de força é utilizado como estratégia de prevenção e reabilitação musculoesquelética.
Revisões científicas demonstram efeito preventivo do treinamento de força sobre diferentes lesões esportivas quando adequadamente planejado.
Portanto, a mensagem não deve ser "tenha medo da musculação", mas:
Aprenda a treinar.
Um bom programa não é necessariamente aquele em que se levanta mais peso, mas aquele que permite evolução, segurança, regularidade e resultados sustentáveis ao longo do tempo.
Treinar bem é mais importante do que simplesmente treinar pesado.
Referências
KERR, Z. Y.; COLLINS, C. L.; COMSTOCK, R. D. Epidemiology of weight training-related injuries presenting to United States emergency departments, 1990 to 2007. American Journal of Sports Medicine, 2010.
KOLBER, M. J. et al. Shoulder injuries attributed to resistance training: a brief review. Journal of Strength and Conditioning Research, 2010.
KEOGH, J. W. L.; WINWOOD, P. W. The epidemiology of injuries across the weight-training sports. Sports Medicine, 2017.
LAURSEN, J. B. et al. Strength training as superior, dose-dependent and safe prevention of acute and overuse sports injuries: a systematic review, qualitative analysis and meta-analysis. British Journal of Sports Medicine, 2018.
AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Resistance Training Prescription for Muscle Function, Hypertrophy, and Physical Performance in Healthy Adults. 2026.
Quando a medalha vale mais que o caminho: o judô precisa reencontrar Jigoro Kano
Por Rodnei Jorge – Presidente da Superliga Brasil de Judô

Um grave episódio ocorrido recentemente durante uma competição da Bundesliga de judô, em Leipzig, na Alemanha, precisa provocar uma reflexão que ultrapasse a agressão em si e alcance uma questão muito maior: qual é, afinal, o judô que estamos construindo?
Após o término de um combate, o judoca georgiano Akaki Japaridze agrediu o alemão Timo Cavelius com socos. Cavelius sofreu fratura na mandíbula, perdeu dentes e precisou passar por cirurgia. O episódio poderá resultar em severas punições, inclusive no banimento do agressor. O próprio clube envolvido reconheceu publicamente que violência, desrespeito e ausência de fair play são incompatíveis com os valores do judô.

O acontecimento é grave por si só. Mas talvez seja ainda mais importante utilizá-lo para discutir algo que há muito tempo merece nossa atenção: o processo de esportivização do judô e o risco de transformarmos um método de educação em uma simples disputa por medalhas.
Jigoro Kano não criou apenas um esporte

Quando Jigoro Kano sistematizou o Judô Kodokan, em 1882, seu objetivo ultrapassava a preparação de indivíduos capazes de vencer combates.
Kano era, antes de tudo, um educador.
Sua concepção buscava o desenvolvimento harmonioso dos aspectos físico, intelectual e moral do indivíduo. O treinamento corporal era uma ferramenta para a formação humana. A técnica possuía importância, assim como o combate e a superação, mas tudo isso deveria conduzir o praticante ao aperfeiçoamento de si mesmo e à capacidade de contribuir positivamente para a sociedade.
Essa concepção encontra sua expressão em dois dos grandes princípios associados ao pensamento de Kano:
Seiryoku Zenyo – o uso mais eficiente da energia física e mental.
Jita Kyoei – prosperidade e benefício mútuos.
Não estamos falando de frases decorativas para serem colocadas nas paredes dos dojôs. Estamos falando dos fundamentos que dão sentido à própria existência do judô.
A Federação Internacional de Judô reconhece esses princípios como elementos centrais da filosofia estabelecida por Kano e ressalta que sua concepção possuía uma dimensão que ultrapassava a prática esportiva.
Quando vencer passa a ser mais importante que aprender

A competição tem seu lugar no judô.
Ela ensina a lidar com pressão, medo, frustração, coragem, estratégia, disciplina e superação. O shiai pode constituir uma extraordinária ferramenta educativa.
O problema não está em competir. O problema começa quando vencer se transforma na finalidade absoluta.
Quando isso acontece, gradativamente modificamos nossa escala de valores.
A medalha passa a valer mais que o comportamento.
O ranking passa a valer mais que o caráter.
O adversário deixa de ser alguém que contribui para nosso desenvolvimento e passa a ser tratado simplesmente como alguém que precisa ser derrotado.
A derrota deixa de representar uma oportunidade de aprendizado e passa a ser percebida como humilhação.
E o professor corre o risco de deixar de ser um educador para tornar-se apenas um treinador de resultados.
Esse é um caminho perigoso.
A esportivização trouxe contribuições extraordinárias ao judô. Deu visibilidade internacional à modalidade, profissionalizou estruturas, desenvolveu métodos de treinamento e proporcionou aos atletas oportunidades antes inimagináveis.
Não devemos negar essas conquistas.
Precisamos, entretanto, compreender que o judô esportivo deve estar dentro do judô — e não o judô inteiro dentro do esporte.
O adversário não é nosso inimigo

Talvez seja justamente aqui que o princípio do Jita Kyoei adquira enorme atualidade.
No judô, precisamos do outro para evoluir.
Precisamos de alguém que segure nossa manga, ofereça resistência, ataque, defenda, desequilibre e nos obrigue a buscar soluções.
Sem uke não existe tori.
Sem parceiro não existe randori.
Sem adversário não existe competição.
Portanto, aquele que está à nossa frente não deveria ser visto como inimigo. Ele é parte indispensável do nosso próprio processo de aperfeiçoamento.
Podemos desejar intensamente a vitória. Podemos lutar com determinação absoluta. Podemos buscar o ippon até o último segundo.
Mas, terminado o combate, deve permanecer algo maior que o resultado: o respeito.
Quando não conseguimos compreender isso, podemos até estar praticando técnicas de judô, mas começamos a nos afastar do Caminho — do DÔ — proposto por Jigoro Kano.
Medalhas passam. A formação permanece.
É necessário perguntar aos professores, dirigentes, pais e responsáveis:
Que tipo de campeão queremos formar?
Um jovem capaz de conquistar dezenas de medalhas, mas incapaz de controlar sua própria agressividade?
Ou alguém que, por meio do judô, aprendeu disciplina, autocontrole, humildade, solidariedade, respeito, responsabilidade e capacidade de conviver com vitórias e derrotas?
Naturalmente, desejamos formar grandes atletas.
Mas queremos, sobretudo, formar grandes seres humanos.
Uma medalha possui enorme significado para quem lutou por ela. Deve ser comemorada e valorizada.
Mas nenhuma medalha pode valer mais do que o caráter daquele que a carrega no peito.
O posicionamento da Superliga Brasil de Judô

É exatamente por essa razão que a Superliga Brasil de Judô e suas entidades filiadas defendem um modelo no qual competição e educação não sejam adversárias, mas complementares.
Queremos competições fortes, queremos atletas tecnicamente preparados, queremos construir campeões, mas não aceitamos que a busca pelo resultado elimine aquilo que torna o judô diferente de uma simples disputa física.
Nosso compromisso é com um judô que desenvolva integralmente o ser humano.
Um judô no qual professores compreendam sua responsabilidade como educadores.
Um judô no qual crianças aprendam que cair não significa fracassar e que vencer não lhes dá o direito de humilhar.
Um judô no qual o adversário seja respeitado porque, sem ele, nossa própria evolução seria impossível.
Um judô capaz de produzir medalhas, mas principalmente cidadãos.
Precisamos reencontrar o Caminho
O lamentável episódio ocorrido na Alemanha não deve servir para condenarmos o judô competitivo nem para generalizarmos o comportamento de milhares de atletas que competem com respeito em todo o mundo.
Deve servir como alerta.
Quando retiramos do judô sua dimensão filosófica e educativa e deixamos apenas a obsessão pelo resultado, corremos o risco de perder o DÔ — o caminho.
Jigoro Kano nos deixou algo muito maior do que um sistema eficiente de projeções, imobilizações, estrangulamentos e chaves articulares. Deixou-nos um instrumento de educação e aperfeiçoamento humano.
Mais de um século depois, nossa responsabilidade não é apenas preservar suas técnicas. É preservar seu propósito.
Porque o verdadeiro legado de um professor de judô não pode ser medido apenas pelas medalhas conquistadas por seus alunos, mas principalmente pelas pessoas que eles se tornaram depois de passar pelo seu tatame.
Superliga Brasil de Judô – SBJ
Formando atletas. Educando pessoas. Preservando o verdadeiro espírito do Judô.
Mais Esportiva promove grande festa das lutas e reúne cerca de 280 atletas em São Paulo

A Mais Esportiva reafirmou mais uma vez sua vocação para transformar vidas por meio do esporte ao realizar, no último domingo (2), no CDC Ipazuri, em São Paulo, o Campeonato Paulista e a 2ª Etapa do Circuito Estudantil – Interkids, ambos da Liga Paulista de Lutas Associadas (LPLA).



Copa do Mundo 2026 evidencia alto custo para torcedores e levanta debate sobre acesso ao esporte

A preparação para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, já começa a gerar discussões relevantes sobre o impacto financeiro para os torcedores. Levantamentos recentes apontam que os custos para acompanhar o torneio podem atingir valores elevados, somando ingressos, transporte e hospedagem.
De acordo com dados divulgados, os ingressos para o Mundial variam significativamente: há categorias mais acessíveis a partir de cerca de US$ 60, enquanto os bilhetes mais exclusivos podem ultrapassar os US$ 6 mil, especialmente em fases decisivas . Em casos específicos, como a final, valores ainda mais altos têm sido registrados, impulsionados por modelos de precificação dinâmica.
Além dos ingressos, o custo logístico também chama atenção. Passagens aéreas, hospedagens e deslocamentos internos nas cidades-sede tendem a sofrer forte valorização durante o período da competição, exigindo planejamento financeiro rigoroso por parte dos torcedores.
Outro fator relevante é o modelo de organização do evento, que amplia as oportunidades comerciais, mas também contribui para o aumento dos preços. A Copa de 2026 será a maior da história, com 48 seleções e 104 partidas, distribuídas em três países, o que eleva a complexidade operacional e os custos gerais envolvidos .
O cenário reforça um debate importante no esporte mundial: até que ponto grandes eventos permanecem acessíveis ao público em geral?
Para especialistas em gestão esportiva, o caso evidencia a necessidade de equilíbrio entre viabilidade econômica, experiência do público e democratização do acesso ao esporte, tema cada vez mais presente nas discussões sobre o futuro das competições internacionais.
Mais Esportiva é destaque na organização do Torneio Metropolitano de Judô da LPLA em São Paulo

CBF fecha parceria com LaLiga para implantar Fair Play Financeiro no futebol brasileiro

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) firmou uma parceria com a LaLiga, entidade que organiza o Campeonato Espanhol, para adotar no Brasil modelos de Fair Play Financeiro, controle orçamentário e gestão profissional já utilizados na Europa.
A iniciativa faz parte de uma estratégia para reduzir o desequilíbrio financeiro entre clubes, aumentar a transparência e garantir a sustentabilidade econômica do futebol nacional.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, dirigentes brasileiros participaram de encontros em Madrid para conhecer de perto o modelo espanhol, que é referência em controle de gastos, auditorias e licenciamento financeiro de clubes.
A expectativa é que as novas diretrizes comecem a ser implementadas já em 2026, marcando uma nova fase para o futebol brasileiro.
Para a Mais Esportiva, o movimento reforça uma tendência irreversível: o futuro do esporte passa por governança, planejamento financeiro e profissionalização da gestão, tanto no alto rendimento quanto em projetos de base, clubes, associações e academias.
📰 Fonte: AS.com (janeiro de 2026)
Judô brasileiro inicia campanha no Grand Prix de Zagreb com 10 atletas rumo ao pódio

Arábia Saudita revela estádio futurista a 350 metros de altura para a Copa do Mundo 2034

Super Liga Brasil de Judô consolida-se como entidade diretiva nacional e fortalece o judô em todo o país

Super Campeonato Brasileiro de Judô reúne 400 atletas em São Paulo e consagra Rogério Binoto como Super Campeão

A conta chegou: clubes sem governança estão no limite da crise

Clube de Regatas do Flamengo é condenado a indenizar atleta agredido em "batizado" de judô

Em nota, o Flamengo afirmou que "repudia todo e qualquer tipo de violência, sobretudo quando envolve menores de idade" e que irá cumprir a determinação judicial, além de intensificar campanhas educativas entre atletas e funcionários. O episódio evidencia a importância cada vez maior da gestão de segurança, cultura e compliance nas estruturas esportivas — áreas que a Mais Esportiva reforça como essenciais para um ambiente saudável, ético e de alto desempenho.
Tradição em risco: clube com 114 anos decreta falência

A gestão esportiva é fundamenal para o sucesso de um clube de futebol porque garante organização, planejamento estratégico e eficiência na utilização de recursos. Uma boa administração envolve desde a formação e manutenção de elencos competitivos até a estruturação financeira sólida, permitindo investimentos em infraestrutura, categorias de base, marketing e captação de patrocinadores. Isso cria um ambiente profissional, previsível e sustentável, essencial para manter bons resultados dentro e fora de campo.
Além disso, uma gestão bem estruturada fortalece a identidade e a imagem do clube, aproximando torcedores, investidores e parceiros comerciais. Ela contribui para a criação de projetos a longo prazo, reduzindo improvisos e decisões impulsivas que prejudicam o desempenho esportivo. Assim, clubes que priorizam a gestão eficiente têm mais chances de alcançar títulos, estabilidade financeira e relevância no cenário esportivo nacional e internacional.
Para nós da Mais Esportiva, a lição é clara: o sucesso esportivo precisa caminhar lado a lado com gestão estratégica, estrutura eficiente e visão de longo prazo.
